• bife à milanesa (2005)

  • just look down (2005)

  • coconut girl (2007)

  • blue shadow (2010)

  • tentáculos (2004)

  • cama y mesa (2011)

  • scratches of memories (2007)

  • white erosion (2011)

  • red nails (2005)

  • lágrimas negras (2005)

  • te vejo no parque (2011)

  • mariposa (2004)

  • le retour à la raison (2014)

  • paixão profundo (2009)

  • line dance (2012)

  • cuba livre (2011)

  • love,hate (2012)

  • upside down (2014)

  • memorias (2012)

  • pleuronectidae (2012)

  • tudo que vc quer está aqui (2012)

  • bicho de 8 cabeças (2012)

hidra (2012)

photography

 Something quietly emerges at every moment throughout these images: ghosts halfway between sex and death; fragments of seduction that wander in-between lost worlds. Sexuality is something transparent, smoky and elusive under our fingertips. But how does one define sexuality in a place where the body is everything – not only material but also consumable?  And here sexuality becomes all but ghostly, the way it has always been in Japanese tales: from another world, but yet somwhere here near us. These images supercede the passage of time, reaching beyond notions specific to any particular time or era. The interesting thing in the creative process — in the artistic process — resides in the reaffirmation of the artist’s individuality. This is increasingly difficult in a world dominated by advertising, publicity and marketing. It is progressively more rare to see true creativity in an artist’s work. Everything is business; nothing is personal. In Kitamura’s images, on the contrary, it’s all personal, lived and felt. Everything is personal. This constitutes an important departure from what we typically see today, where the photographic image is becoming technically more distant from what was photographed. In art, what counts is the soul and not the theme. In Kitamura’s works the themes are diluted and mixed. Here we do not get stuck anywhere, nor to a specific moment in time; we move on to another phase. A phase that brings us to another space, another world, a limbo. Here, what appear as skin, fingers, breasts, sexes, and clothes are tranformed into masks, gifts, lights and Bahia sweat by this young Japanese artist who one day came to Salvador. 

                                                                                                                    miguel rio branco



Algo em surdina surge a cada momento. Fantasmas entre o sexo e a morte, pedaços de sedução que divagam entre mundos perdidos.

A sexualidade é transparente, fugidia, e se esfumaça debaixo de nossos dedos. Como definir essa sexualidade em lugar onde o corpo é tudo, material e consumível? E aqui ela se torna fantasmagórica. Como nos contos japoneses de sempre, existe um outro mundo, mas ele está aqui junto a nós. Estas imagens se tornam passagem de tempo, imateriais, fora de qualquer época.

O interessante na criação, na arte, fica na individualidade reafirmada de cada um. Isto está cada vez mais difícil em um mundo dominado por propaganda, publicidade, marketing. Cada vez menos aparece o retrato daqueles que criam através de sua obra. Tudo é business, nada é pessoal. Aqui, no que é visto, tudo é pessoal, vivido e sentido. Tudo é pessoal. São diferenças essenciais onde hoje a imagem fotográfica se torna cada vez mais tecnicamente distante do que é mostrado.

Mas em arte o que têm de ser mostrado é a alma e não o tema. Aqui o os temas se diluem e mestiçam. Não ficamos presos a um lugar ou um momento no tempo, passamos para outra fase. Uma fase que nos faz ir para outro espaço, um outro mundo, um limbo.

Porém no fundo aparecem peles, dedos, seios, sexos, roupas que se transformam em máscaras, oferendas, luzes e suores baianos mostrados por um japonês que um dia chegou em Salvador.

 

miguel rio branco